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Diferentes tipos de Marcas Postais

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Acervo e Ensaio — Museu de Filatelia Sérgio Pedro: A marca pré-filatélica CBR 8 de Coimbra e a taxação de um maço postal PT-CC-1834-PEN-LIS-FH

Acervo e Ensaio — Museu de Filatelia Sérgio Pedro: Carta Pré‑Filatélica de Penacova para Lisboa com T...:   

Entre os vários elementos que merecem atenção numa carta pré-filatélica portuguesa de 1834 expedida de Penacova para Lisboa, destacam-se a marca nominal COIMBRA, classificável como CBR 8, e a indicação manuscrita de porte 60 réis.

A marca nominal de Coimbra surge aplicada em tinta preta e apresenta características compatíveis com o tipo CBR 8 catalogado por Luís Frazão. Este carimbo foi utilizado durante um longo período, entre 10 de agosto de 1824 e 28 de novembro de 1837, constituindo uma das marcas identificativas do correio de Coimbra no período pré-filatélico.

A sua presença na carta possui significado histórico-postal relevante. Penacova integrava naturalmente a área de influência postal de Coimbra, pelo que a correspondência destinada a Lisboa era encaminhada através daquele importante centro de distribuição. A marca nominal documenta precisamente esta passagem pelo correio coimbrão, testemunhando o percurso seguido pela missiva dentro da rede postal portuguesa da primeira metade do século XIX.

Igualmente interessante é a anotação manuscrita “60”, aposta no canto superior direito do sobrescrito. O valor enquadra-se nas tarifas postais vigentes no período e é compatível com a circulação da correspondência entre Penacova e Lisboa, pois, segundo Frazão (2012): "Depois de haver usado selos fixos durante o primeiro período (1799-1801), o Correio de Coimbra passou a escrever manualmente os portes, logo no começo do segundo período até abril de 1835."

Contudo, permanece uma questão interpretativa que merece reflexão.

Para a esclarecer, procedeu-se a uma abordagem metodológica tridimensional, assente no estudo paleográfico e diplomático do conteúdo, na análise das marcas de trânsito físico e na avaliação metrológica do próprio fólio.

A leitura mais imediata consiste em considerar os 60 réis como o porte cobrado por esta carta em particular. Todavia, existem três evidências convergentes:

  1. Peso do fólio conservado

    • Cerca de 5 g.
    • Compatível com um escalão próximo das 2 oitavas de onça.
    • Incompatível, por si só, com o porte de 60 réis, associado ao escalão das 4 oitavas de onça (c. 14,34 g).
  2. Integridade das dobras originais

    • O sobrescrito preserva integralmente a configuração original de fecho.
    • Quando fechado, não evidencia acomodação para outros fólios.
    • Não existem vestígios físicos que permitam defender que a carta hoje preservada transportava documentação adicional no seu interior.
  3. Evidência textual

    • O conteúdo faz referência ao envio de outros elementos relacionados com a comunicação notarial.
    • A correspondência insere-se num contexto de troca de sinais públicos e documentação profissional.
    • O texto fornece um enquadramento plausível para a circulação simultânea de mais do que uma peça documental.

Assim, a explicação mais verosímil é que os 60 réis não correspondam ao peso da carta isoladamente, mas antes ao porte cobrado por um maço postal composto por esta carta e por outra documentação expedida em simultâneo.

Deste modo, a discrepância entre o peso efetivo do documento conservado e o valor do porte inscrito não enfraquece a hipótese do maço; pelo contrário, constitui um dos seus principais argumentos. Embora não seja possível determinar com absoluta certeza a composição desse eventual envio conjunto, a conjugação da evidência física com a informação contida no texto torna esta interpretação particularmente consistente.

A conjugação da marca nominal CBR 8 com o porte manuscrito de 60 réis oferece, assim, um pequeno mas interessante testemunho das práticas operacionais dos correios portugueses antes da introdução dos selos postais adesivos.

Para uma análise completa desta peça, incluindo o estudo da marca de chegada de Lisboa LSB 12, da discrepância cronológica entre a data da carta e a data de receção, da contramarca papeleira LOUZÃ 1833, dos aspetos notariais e do contexto histórico, consulte o blogue Acervo e Ensaio do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.

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