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📌 “Este blog integra o ecossistema: Museu de Filatelia Sérgio Pedro: Estudos, peças raras, maximafilia, marcofilia e história postal.

Diferentes tipos de Marcas Postais

sábado, 29 de agosto de 2026

O Carimbo Oval de Chegada LSB 9 (Lisboa)


Trata-se da marca de chegada com a legenda LISBOA, catalogada sob a referência LSB 9. Esta peça enquadra-se na tipologia de carimbo datado oval utilizado pelo Correio Ordinário para assinalar a receção da correspondência na mala da capital.

O exemplar documentado apresenta-se impresso na cor preta (aproximando-se do valor hexadecimal #3F3C35), a tinta regulamentar e mais disseminada para este tipo de marcação oficial no período em causa. O desenho geométrico oval alberga a indicação do dia no topo e do mês ou número da respetiva mala/estação na parte inferior, ladeando o nome da cidade.

➡️ 2. Cronologia e Grau de Raridade
De acordo com os registos de referência da marcofilia portuguesa visíveis nas tabelas catalográficas, a marca LSB 9 na cor preta apresenta os seguintes parâmetros:
  • Datas Limites: O período oficial de utilização documentado para este cunho específico situa-se entre 11-06-1821 e 20-10-1828. Trata-se de um carimbo que acompanhou de perto os principais acontecimentos políticos e institucionais do Portugal vintista e do início da governação de D. Miguel.
  • Grau de Raridade 1: Na escala marcofílica convencional, o grau 1 classifica esta marca como comum. Isto significa que, devido à centralidade de Lisboa e ao elevado volume de correspondência que a capital centralizava a nível nacional e ultramarino, existe um número considerável de exemplares sobreviventes em arquivos históricos e coleções particulares. É, por isso, uma marca de referência obrigatória e um pilar de aferição cronológica para qualquer colecionador do período pré-filatélico.
Com esta pequena nota académica, esperamos modestamente somar mais um elemento descritivo ao arquivo coletivo de investigadores e entusiastas da marcofilia portuguesa, convidando à partilha de variantes e datas extremas que ajudem a consolidar o estudo do correio ordinário oitocentista.

🔎 Nota de Consulta
Para os investigadores interessados em aprofundar a análise paleográfica e o enquadramento documental desta peça, informamos que a totalidade do estudo relativo a esta carta pode ser consultada detalhadamente no blog Acervo e Ensaio do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.

Marca VCT 5 numa Carta Histórica de 1828 - Carimbo reto em duas linhas "VIANNA" / "DOMINHO" (Sépia) | Datas Limite: 04-01-1824 a 07-08-1828 | n.º Raridade: 3

No âmbito da investigação histórico-postal e do persistente esforço de documentação das marcas que desenharam a circulação da correspondência em Portugal antes da introdução do selo adesivo, partilhamos hoje uma breve nota sobre uma peça de assinalável interesse para o estudo do Minho oitocentista. Esta análise integra tanto a vertente marcofílica como uma detalhada caracterização material e paleográfica do documento.


➡️ 1. A Marca Postal e o Contexto de Origem
Trata-se da marca de origem nominativa linear pré-filatélica com a legenda VIANNA DO MINHO, catalogada sob a referência VCT 5. O exemplar documentado apresenta-se numa tonalidade castanho-escura/sépia (aproximando-se do valor hexadecimal #765647), uma paleta cromática caraterística dos pigmentos e tintas de fabrico artesanal ou local utilizados pelas administrações dos correios durante o primeiro quartel do século XIX.
Do ponto de vista da sua integridade física, o estado de conservação deste carimbo revela-se parcialmente enfraquecido, denotando o natural desgaste do suporte ou a perda de intensidade da tinta ao longo dos anos. Todavia, a marca permanece perfeitamente identificável, permitindo uma leitura clara dos seus carateres tipográficos.
Esta marca foi aposta numa carta pré-filatélica administrativa e comercial datada de 14 de Janeiro de 1828, com origem postal em Vianna do Minho (atual Viana do Castelo) e destino a Lisboa. Na capa do sobrescrito, menciona-se ainda o topónimo Freixial de Baixo, cuja identificação geográfica definitiva se encontra pendente de validação. (fortes evidências que fosse o endereço de António Esteves Costa).

➡️ 2. Cronologia e Grau de Raridade
De acordo com os registos de referência da marcofilia portuguesa, a marca VCT 5 nesta cor sépia apresenta as seguintes balizas catalográficas:
  • Datas Limites: O período documentado para o uso deste cunho específico situa-se entre 04-01-1824 e 07-08-1828. A missiva em estudo, datada de janeiro de 1828, reveste-se de grande importância cronológica por se posicionar no ano limite de utilização desta variante, consolidando os dados históricos conhecidos.
  • Grau de Raridade 3: Na escala marcofílica convencional (que varia tipicamente entre 1 e 10), o grau 3 classifica esta marca como esparsa ou pouco comum. Isto significa que, embora não se trate de um cunho de escassez extrema, o número de exemplares sobreviventes identificados em arquivos e coleções é moderadamente limitado, elevando o interesse do achado.

➡️ 3. Protagonistas e Natureza Documental
A missiva foi remetida por Diego Roiz Correa e destinada a António Esteves Costa (1764-1837), um importante capitalista, proprietário e empresário lisboeta, que mais tarde viria a ser agraciado com os títulos de Barão das Picoas (1831) e Visconde das Picoas (1835).
A natureza documental da peça insere-se na correspondência particular relativa à arrematação de rendimentos fiscais e judiciais pertencentes à Fazenda Real — especificamente sobre a Arrematação das Dízimas da Relação do Porto, o que confere ao documento um relevante valor para a história económica, jurídica e institucional da época. Por se tratar de um período anterior à reforma postal de 1853, a emissão filatélica associada não é aplicável.

➡️ 4. Descrição Material e Caracterização Paleográfica
O suporte físico da carta revela o cuidado e a qualidade da correspondência mercantil do início do século XIX:
  • O Suporte: Trata-se de um papel de trapo do tipo vero (laid paper), com dimensões de 368 × 224 mm e pontuseus verticais. O documento é constituído por uma única folha dobrada que forma o próprio sobrescrito.
  • Filigrana e Contramarca: Foi identificada a contramarca D & C BLAUW, que atesta a utilização de papel de alta qualidade importado, proveniente da prestigiada produção da família papeleira holandesa Blauw, estabelecida na região de Zaanstreek, nos Países Baixos.
  • A Escrita e Paleografia: O texto manuscrito foi executado em tinta ferrogálica castanha, utilizando uma caligrafia em Letra Cursiva Comercial Portuguesa (também designada na época por Letra Inglesa ou Letra de Comércio). Observa-se uma nítida inclinação para a direita, traço contínuo e rápido, maiúsculas ornamentadas e numerosas abreviaturas comerciais e administrativas. A forte regularidade gráfica demonstra uma escrita perfeitamente compatível com a prática de correspondência mercantil especializada.
Com esta pequena nota académica, esperamos modestamente somar mais um elemento descritivo e contextual ao arquivo coletivo de investigadores e entusiastas da marcofilia portuguesa, convidando à partilha de outros exemplares e variantes que ajudem a robustecer o estudo destas marcas minhotas.

🔎 Nota de Consulta
Para os investigadores interessados em aprofundar a análise paleográfica e o enquadramento documental desta peça, informamos que a totalidade do estudo relativo a esta carta pode ser consultada detalhadamente no blog Acervo e Ensaio do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Acervo e Ensaio — Museu de Filatelia Sérgio Pedro: Carta Pré‑Filatélica Lisboa–Putney (1820): LX 7 – Carimbo retangular linear com inscrição "LISBON" de 29,5 a 31,5 mm (Preto) | n.º Raridade: 3

 


Acervo e Ensaio — Museu de Filatelia Sérgio Pedro: Carta Pré‑Filatélica Lisboa–Putney (1820): Estudo ...:   

Descrição Material e Análise do Suporte

A peça em estudo enquadra-se na tipologia de carta-sobrescrito manuscrita, executada sobre folha de papel dobrado. À época, esta configuração estrutural constituía a práxis corrente no comércio epistolar internacional, respondendo a imperativos económicos, uma vez que as tarifas postais eram indexadas quer à distância percorrida, quer ao número de fólios utilizados (rejeitando-se o uso de invólucros adicionais para evitar a sobretaxação).

O exemplar apresenta uma integridade arquivística notável, conservando os seguintes elementos estruturais:

 ·    Fólio-capa exterior: Superfície que serviu de suporte às indicações de direção (endereço), marcas de franquia, carimbos de trânsito e anotações tarifárias.

 ·  Fólio de conteúdo: Texto epistolar original, atualmente selado, preservando a confidencialidade da missiva.

 ·         Estrutura de circulação postal marítima: O documento retém a totalidade dos vestígios físicos e mecânicos resultantes do manuseamento pelas diferentes administrações postais envolvidas no tráfego marítimo anglo-português.

Estudo Marcofílico: Marcas de Origem e Controlo (Lisboa)

A análise das marcas postais aplicadas no ponto de partida reflete o estatuto jurídico e operacional das agências postais estrangeiras estabelecidas em território nacional durante o início do século XIX.

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|                      MARCA DE ORIGEM: AGÊNCIA BRITÂNICA                         |
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| Legenda (Tipo)      | LISBON (Carimbo linear pré-filatélico)                     |
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| Oficina Postal      | Agência do British Packet Agent (Lisboa)                  |
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| Colorido            | Tinta oleosa preta                                        |
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| Catalogação         | Atribuição provável ao Tipo LX7 de Frazão (2012)          |
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| Grau de Raridade    | Raridade 3 (Escasso)                                      |
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| Estado / Diagnose   | Muito deficiente devido ao desvanecimento do pigmento.    |
|                     | Contudo, a morfologia dos carateres e a sua posição no    |
|                     | reverso alinham-se com o padrão de controlo de malas      |
|                     | postais da representação britânica.                       |
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Marca Territorial / Aduaneira Incomum: «E»

No anverso da peça, posicionada à esquerda, regista-se a estampagem de uma marca alfabética uniface «E», impressa a tinta preta. O seu estado de conservação é muito deficiente, exibindo uma leitura significativamente desvanecida.

·         Interpretação Crono-Tipológica: Sob a perspetiva marcofílica, este tipo de marca isolada está associada a funções de controlo administrativo, fiscal ou aduaneiro à entrada ou saída do porto de Lisboa. A determinação inequívoca da sua valência funcional permanece, contudo, em aberto, carecendo de cruzamento com fontes arquivísticas homólogas.

3. Marcas de Trânsito, Receção e Distribuição (Londres)

A chegada da mala postal à metrópole britânica determinou a aplicação sistemática de carimbos de controlo e triagem cronológica no dia 24 de janeiro de 1820, permitindo reconstituir a cadeia de custódia documental em solo inglês:

 ·         Foreign Post Office (FPO): Aplicação de um carimbo datador circular pontilhado (dotted / pearly circles), a tinta preta, com a legenda cronológica «JA • 24 • 1820». Esta marca autentica a passagem da carta pela repartição responsável pelo correio estrangeiro, apresentando uma legibilidade razoável.

 ·         London Chief Office Post (Two-Penny Post): Marca circular impressa a tinta vermelha, indicativa do sistema de distribuição urbana de Londres. O cunho exibe a data «JA • 24 • 1820» e a indicação horária «4 O'Clock», flanqueada pela abreviatura «EV» (Evening). Este pormenor indicia que a carta foi processada no turno da tarde/noite, integrando o circuito final de distribuição domiciliária do próprio dia de chegada.

Paleografia Epistolar e Contabilidade Postal (Taxação)

No topo do anverso, identifica-se um elemento crucial para a economia do documento: a anotação manuscrita de porte.  

Leitura Paleográfica: «2/6»

·    Análise Diplomática: Lançada com tinta ferrogálica escura através de um traço caligráfico firme e fluido, típico dos oficiais de mesa dos correios.

·      Interpretação Tarifária: A inscrição quantifica o valor devido pelo destinatário no ato de entrega, fixado em 2 shillings e 6 pence. Este montante englobava a taxa de transporte marítimo (Packet Rate) fixada pelas ordenanças postais britânicas para a rota de Lisboa, acrescida da taxa de circulação interna ou local (Two-Penny) na malha urbana londrina.

Considerações Finais

A peça analisada constitui um excelente testemunho material do funcionamento do Lisbon Packet, serviço regular de navios-correio que assegurava a ligação comercial e diplomática entre Portugal e o Reino Unido. O cruzamento das marcas pré-filatélicas de Lisboa com os carimbos de trânsito londrinos e a respetiva taxação manuscrita preenche os requisitos metodológicos para o estudo aprofundado das tarifas e dos itinerários postais do início do século XIX, ilustrando o rigor burocrático que antecedeu a era do selo postal.