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📌 “Este blog integra o ecossistema: Museu de Filatelia Sérgio Pedro: Estudos, peças raras, maximafilia, marcofilia e história postal.

Diferentes tipos de Marcas Postais

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Súmula "A marcação a tinta vermelha pelo correio de Lisboa" (artigo de Luís Frazão 2004)

 

Resumo / Súmula

No artigo "A marcação a tinta vermelha pelo correio de Lisboa", Luís Frazão (2004) analisa o estado dos conhecimentos marcofílicos relativos à utilização da tinta vermelha pelo Correio Geral de Lisboa, focando-se no período pré-adesivo e nas razões históricas e postais para o uso dessa cor em detrimento das tintas habituais (sépia e preta).

1. Contexto Geral e Normativo

  • A partir de 1 de agosto de 1799, com a reforma postal subsequente à incorporação do Ofício do Correio-Mor pelo Estado, tornou-se obrigatória a marcação do local de origem e do valor da taxa a pagar pelo destinatário nas cartas.

  • Inicialmente utilizava-se tinta de escrever (sépia ou azul). Por ser à base de água e ter fraca visibilidade, passou-se gradualmente a adotar tinta de óleo preta nos correios de maior volume. O uso de tinta vermelha constituiu uma exceção e ocorreu em períodos bem delimitados (Frazão, 2004).

2. Períodos e Contextos da Marcação a Vermelho

  • Março/Abril de 1798 — Repartição do Correio Marítimo

    Marcação com o carimbo CORº MARITIMO. Frazão (2004) sugere que a tinta vermelha foi empregue no início do serviço para dar destaque visual às correspondências ultramarinas que chegavam a Lisboa sem marcação prévia de origem ou porte.

  • 8 de Agosto de 1805 a 14 de Julho de 1806 — Correspondência Estrangeira

    Marcas FRANQUEADA/LISBOA e LISBOA. Em cumprimento do Artigo XXV do Regulamento de 1805, que impunha o pré-pagamento parcial das taxas em cartas para o estrangeiro, usou-se o vermelho — por influência de práticas postais europeias (nomeadamente britânicas) — para sinalizar o franquiamento/pré-pagamento (Frazão, 2004).

  • 11 a 13 de Março de 1813 — Cartas de Espanha

    Marca HESPANHA. Usada de forma efémera a tinta vermelha na transição da antiga marca E para a nova marca nominativa, servindo o vermelho como sinal de alerta para a nova marcação (Frazão, 2004).

  • 14 de Novembro de 1828 a 16 de Fevereiro de 1834 — Uso Generalizado

    Durante quase seis anos, todas as repartições do Correio de Lisboa utilizaram exclusivamente tinta vermelha nas marcas aplicadas (ex.: ILHAS, CORº MARITIMO, C.M., HESPANHA). Segundo Frazão (2004), tratou-se de uma manifestação de caráter político e de adesão do organismo postal ao regime absolutista de D. Miguel, cessando o seu uso com a entrada das tropas liberais em Lisboa e o regresso à tinta sépia.

  • 30 de Setembro de 1854 — Período Adesivo (Caso Raro)

    Já no período do selo adesivo (iniciado em 1853), regista-se a utilização pontual de vermelho no carimbo datador e de porte. Frazão (2004) coloca a hipótese de estar relacionada com as celebrações do regresso do Príncipe D. Pedro a Portugal, mantendo no entanto a questão em aberto por falta de evidências documentais conclusivas.

domingo, 30 de agosto de 2026

Acervo e Ensaio — Museu de Filatelia Sérgio Pedro: CBR-S 2 – Carimbo linear "SEGURA COIMBRA" (Preto) | n.º Raridade: 5



Carta circular administrativa enviada pelo Governo Civil de Coimbra ao Administrador do Concelho de Midões, em dezembro de 1852. O sobrescrito apresenta a inscrição manuscrita «S.N.R.» e a marca postal nominal retangular «SEGURO / COIMBRA» (CBR-S 2), aplicada a tinta preta. No interior, encontra-se a circular n.º 68 da 1.ª Repartição do Governo Civil de Coimbra, assinada por António Luiz de Souza Henriques Seco e relativa à recolha dos Mapas da Produção Agrícola do distrito. Trata-se de um documento pré-filatélico produzido durante o período da Regeneração.

Identificação catalográfica

  • Classificação: CBR-S 2
  • Datas limite: 24/07/1838 a 22/07/1853
  • Tipologia: Marca nominal retangular em duas linhas
  • Texto:

SEGURO
COIMBRA

  • Cor: Preta (Impressão de carimbo postal/oficial. Pigmento original: preto. Estado de conservação atual (2026): alteração cromática por oxidação para tom taupe escuro (Hex #4F4339).
  • Local de aplicação: Coimbra
  • Estado de conservação: Parcial, mas suficientemente legível para uma identificação inequívoca.

Interpretação funcional

A marca corresponde ao circuito postal das Cartas Seguras de Coimbra, constituindo uma marca nominal postal pré-adesiva identificada na bibliografia marcofílica portuguesa.

A palavra «SEGURO» reporta-se ao serviço postal de cartas registadas/seguras da época, e não a um seguro financeiro no sentido moderno.

Raridade e Circulação

Segundo Frazão (2012), esta marca é classificada como Raridade 5 (muito escassa), sendo conhecidos apenas entre 15 e 20 exemplares. O intervalo decorrido entre a emissão e a receção desta peça foi de cinco dias.

Não existem elementos postais suficientes no sobrescrito para reconstruir o itinerário completo. Contudo, Luís Frazão (2012) refere que, em 1839, Midões figurava como uma localidade servida por correio ou estafeta, integrada no circuito postal de Santa Comba Dão a partir de Coimbra. Embora a peça não apresente marcas de trânsito que permitam mapear o percurso efetivo seguido em dezembro de 1852, esta referência histórica confirma a existência de ligações postais regulares entre Midões e Coimbra, compatíveis com a circulação da correspondência administrativa observada.


Acervo e Ensaio — Museu de Filatelia Sérgio Pedro: LSB 3 – Carimbo oval espesso com inscrição "LISBOA" (Preto) | n.º Raridade: 1


Acervo e Ensaio — Museu de Filatelia Sérgio Pedro: Carta de Licença da Ordem Terceira de São Francisc...

Esta carta pré-filatélica manuscrita, datada de 2 de novembro de 1821, foi enviada de Lisboa para Faro. O documento foi redigido por Frei António de Jesus Maria Serra, da Ordem Terceira de São Francisco, e tinha como destinatário o Padre Joaquim José Clarinho. A missiva conserva o seu sistema original de dobragem postal e apresenta vestígios da obreia vermelha utilizada no fecho. Por transparência, identifica-se a filigrana inglesa BASTED MILL 1819, além de um selo seco em relevo e do carimbo de Lisboa. Esta peça constitui um testemunho histórico relevante da administração religiosa, das comunicações postais e da circulação de papel importado em Portugal no início do século XIX.
O carimbo postal presente no documento possui a designação LSB 3 e classifica-se como uma marca nominativa de expedição da Administração Geral dos Correios de Lisboa. O período de utilização conhecido desta marca estende-se de 04-09-1819 a 17-02-1822, com o registo oficial da cor preta e um índice de raridade equivalente a 1. Do ponto de vista morfológico, a marca é composta pela palavra LISBOA gravada em caracteres maiúsculos serifados. Esta legenda está inserida no interior de um duplo oval horizontal fechado. Os caracteres apresentam um desenho robusto e relativamente condensado, ocupando a maior parte do espaço interno da estrutura.
O filete oval evidencia uma espessura irregular que decorre do fabrico do cunho ou do desgaste progressivo sofrido durante o serviço postal. Em impressões mais fracas ou incompletas, este oval pode surgir parcialmente interrompido, embora mantenha a sua configuração característica. A legenda LISBOA encontra-se perfeitamente centrada na moldura oval para funcionar como o principal elemento identificador da origem da correspondência. A variante LSB 3 distingue-se da anterior LSB 2 por apresentar uma impressão geralmente mais carregada. O conjunto tipográfico e a moldura oval exibem um aspeto mais vigoroso, conferindo à marca uma maior presença visual e caracteres mais contrastados. A sua função postal consistia em assinalar a origem das cartas expedidas pela administração de Lisboa, integrando o sistema de marcas pré-filatélicas portuguesas das primeiras décadas de oitocentos.

sábado, 29 de agosto de 2026

Acervo e Ensaio — Museu de Filatelia Sérgio Pedro: Carta Pré‑Filatélica de Penacova para Lisboa com CBR 8 – Carimbo linear "COIMBRA" (Preto) | n.º Raridade: 1


Acervo e Ensaio — Museu de Filatelia Sérgio Pedro: Carta Pré‑Filatélica de Penacova para Lisboa com T...:  
Carta pré-filatélica manuscrita redigida em Penacova a 21 de março de 1830 por António Ferreira e enviada para Francisco José Teixeira, em Lisboa. O sobrescrito apresenta a marca postal nominal CBR 8 de Coimbra (cor hexadecimal #383736) — cujas datas - limite registadas de utilização vão de 10-08-1824 a 28-11-1837, enquadrando perfeitamente a data desta missiva — e a indicação manuscrita do porte de 35 réis. Este valor corresponde a dois oitavos de onça do 4.º escalão de distância, o que se ajusta na perfeição à distância oficial na qual a cidade de Coimbra se inseria à época. O texto menciona a entrega de 300.000 réis, uma deslocação prevista a Coimbra e a eventual arrematação dos dízimos de São Pedro do Rego da Murta. Constitui um testemunho das comunicações postais, da economia rural e da circulação de capitais no Portugal da primeira metade do século XIX.

O Carimbo Oval de Chegada LSB 9 (Lisboa)


Trata-se da marca de chegada com a legenda LISBOA, catalogada sob a referência LSB 9. Esta peça enquadra-se na tipologia de carimbo datado oval utilizado pelo Correio Ordinário para assinalar a receção da correspondência na mala da capital.

O exemplar documentado apresenta-se impresso na cor preta (aproximando-se do valor hexadecimal #3F3C35), a tinta regulamentar e mais disseminada para este tipo de marcação oficial no período em causa. O desenho geométrico oval alberga a indicação do dia no topo e do mês ou número da respetiva mala/estação na parte inferior, ladeando o nome da cidade.

➡️ 2. Cronologia e Grau de Raridade
De acordo com os registos de referência da marcofilia portuguesa visíveis nas tabelas catalográficas, a marca LSB 9 na cor preta apresenta os seguintes parâmetros:
  • Datas Limites: O período oficial de utilização documentado para este cunho específico situa-se entre 11-06-1821 e 20-10-1828. Trata-se de um carimbo que acompanhou de perto os principais acontecimentos políticos e institucionais do Portugal vintista e do início da governação de D. Miguel.
  • Grau de Raridade 1: Na escala marcofílica convencional, o grau 1 classifica esta marca como comum. Isto significa que, devido à centralidade de Lisboa e ao elevado volume de correspondência que a capital centralizava a nível nacional e ultramarino, existe um número considerável de exemplares sobreviventes em arquivos históricos e coleções particulares. É, por isso, uma marca de referência obrigatória e um pilar de aferição cronológica para qualquer colecionador do período pré-filatélico.
Com esta pequena nota académica, esperamos modestamente somar mais um elemento descritivo ao arquivo coletivo de investigadores e entusiastas da marcofilia portuguesa, convidando à partilha de variantes e datas extremas que ajudem a consolidar o estudo do correio ordinário oitocentista.

🔎 Nota de Consulta
Para os investigadores interessados em aprofundar a análise paleográfica e o enquadramento documental desta peça, informamos que a totalidade do estudo relativo a esta carta pode ser consultada detalhadamente no blog Acervo e Ensaio do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.

Marca VCT 5 numa Carta Histórica de 1828 - Carimbo reto em duas linhas "VIANNA" / "DOMINHO" (Sépia) | Datas Limite: 04-01-1824 a 07-08-1828 | n.º Raridade: 3

No âmbito da investigação histórico-postal e do persistente esforço de documentação das marcas que desenharam a circulação da correspondência em Portugal antes da introdução do selo adesivo, partilhamos hoje uma breve nota sobre uma peça de assinalável interesse para o estudo do Minho oitocentista. Esta análise integra tanto a vertente marcofílica como uma detalhada caracterização material e paleográfica do documento.


➡️ 1. A Marca Postal e o Contexto de Origem
Trata-se da marca de origem nominativa linear pré-filatélica com a legenda VIANNA DO MINHO, catalogada sob a referência VCT 5. O exemplar documentado apresenta-se numa tonalidade castanho-escura/sépia (aproximando-se do valor hexadecimal #765647), uma paleta cromática caraterística dos pigmentos e tintas de fabrico artesanal ou local utilizados pelas administrações dos correios durante o primeiro quartel do século XIX.
Do ponto de vista da sua integridade física, o estado de conservação deste carimbo revela-se parcialmente enfraquecido, denotando o natural desgaste do suporte ou a perda de intensidade da tinta ao longo dos anos. Todavia, a marca permanece perfeitamente identificável, permitindo uma leitura clara dos seus carateres tipográficos.
Esta marca foi aposta numa carta pré-filatélica administrativa e comercial datada de 14 de Janeiro de 1828, com origem postal em Vianna do Minho (atual Viana do Castelo) e destino a Lisboa. Na capa do sobrescrito, menciona-se ainda o topónimo Freixial de Baixo, cuja identificação geográfica definitiva se encontra pendente de validação. (fortes evidências que fosse o endereço de António Esteves Costa).

➡️ 2. Cronologia e Grau de Raridade
De acordo com os registos de referência da marcofilia portuguesa, a marca VCT 5 nesta cor sépia apresenta as seguintes balizas catalográficas:
  • Datas Limites: O período documentado para o uso deste cunho específico situa-se entre 04-01-1824 e 07-08-1828. A missiva em estudo, datada de janeiro de 1828, reveste-se de grande importância cronológica por se posicionar no ano limite de utilização desta variante, consolidando os dados históricos conhecidos.
  • Grau de Raridade 3: Na escala marcofílica convencional (que varia tipicamente entre 1 e 10), o grau 3 classifica esta marca como esparsa ou pouco comum. Isto significa que, embora não se trate de um cunho de escassez extrema, o número de exemplares sobreviventes identificados em arquivos e coleções é moderadamente limitado, elevando o interesse do achado.

➡️ 3. Protagonistas e Natureza Documental
A missiva foi remetida por Diego Roiz Correa e destinada a António Esteves Costa (1764-1837), um importante capitalista, proprietário e empresário lisboeta, que mais tarde viria a ser agraciado com os títulos de Barão das Picoas (1831) e Visconde das Picoas (1835).
A natureza documental da peça insere-se na correspondência particular relativa à arrematação de rendimentos fiscais e judiciais pertencentes à Fazenda Real — especificamente sobre a Arrematação das Dízimas da Relação do Porto, o que confere ao documento um relevante valor para a história económica, jurídica e institucional da época. Por se tratar de um período anterior à reforma postal de 1853, a emissão filatélica associada não é aplicável.

➡️ 4. Descrição Material e Caracterização Paleográfica
O suporte físico da carta revela o cuidado e a qualidade da correspondência mercantil do início do século XIX:
  • O Suporte: Trata-se de um papel de trapo do tipo vero (laid paper), com dimensões de 368 × 224 mm e pontuseus verticais. O documento é constituído por uma única folha dobrada que forma o próprio sobrescrito.
  • Filigrana e Contramarca: Foi identificada a contramarca D & C BLAUW, que atesta a utilização de papel de alta qualidade importado, proveniente da prestigiada produção da família papeleira holandesa Blauw, estabelecida na região de Zaanstreek, nos Países Baixos.
  • A Escrita e Paleografia: O texto manuscrito foi executado em tinta ferrogálica castanha, utilizando uma caligrafia em Letra Cursiva Comercial Portuguesa (também designada na época por Letra Inglesa ou Letra de Comércio). Observa-se uma nítida inclinação para a direita, traço contínuo e rápido, maiúsculas ornamentadas e numerosas abreviaturas comerciais e administrativas. A forte regularidade gráfica demonstra uma escrita perfeitamente compatível com a prática de correspondência mercantil especializada.
Com esta pequena nota académica, esperamos modestamente somar mais um elemento descritivo e contextual ao arquivo coletivo de investigadores e entusiastas da marcofilia portuguesa, convidando à partilha de outros exemplares e variantes que ajudem a robustecer o estudo destas marcas minhotas.

🔎 Nota de Consulta
Para os investigadores interessados em aprofundar a análise paleográfica e o enquadramento documental desta peça, informamos que a totalidade do estudo relativo a esta carta pode ser consultada detalhadamente no blog Acervo e Ensaio do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.