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📌 “Este blog integra o ecossistema: Museu de Filatelia Sérgio Pedro: Estudos, peças raras, maximafilia, marcofilia e história postal.

Diferentes tipos de Marcas Postais

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Acervo e Ensaio — Museu de Filatelia Sérgio Pedro: Carta Pré‑Filatélica Lisboa–Putney (1820): LX 7 – Carimbo retangular linear com inscrição "LISBON" de 29,5 a 31,5 mm (Preto) | n.º Raridade: 3

 

Acervo e Ensaio — Museu de Filatelia Sérgio Pedro: Carta Pré‑Filatélica Lisboa–Putney (1820): Estudo ...:   

Descrição Material e Análise do Suporte

A peça em estudo enquadra-se na tipologia de carta-sobrescrito manuscrita, executada sobre folha de papel dobrado. À época, esta configuração estrutural constituía a práxis corrente no comércio epistolar internacional, respondendo a imperativos económicos, uma vez que as tarifas postais eram indexadas quer à distância percorrida, quer ao número de fólios utilizados (rejeitando-se o uso de invólucros adicionais para evitar a sobretaxação).

O exemplar apresenta uma integridade arquivística notável, conservando os seguintes elementos estruturais:

 ·    Fólio-capa exterior: Superfície que serviu de suporte às indicações de direção (endereço), marcas de franquia, carimbos de trânsito e anotações tarifárias.

 ·  Fólio de conteúdo: Texto epistolar original, atualmente selado, preservando a confidencialidade da missiva.

 ·         Estrutura de circulação postal marítima: O documento retém a totalidade dos vestígios físicos e mecânicos resultantes do manuseamento pelas diferentes administrações postais envolvidas no tráfego marítimo anglo-português.

Estudo Marcofílico: Marcas de Origem e Controlo (Lisboa)

A análise das marcas postais aplicadas no ponto de partida reflete o estatuto jurídico e operacional das agências postais estrangeiras estabelecidas em território nacional durante o início do século XIX.

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|                      MARCA DE ORIGEM: AGÊNCIA BRITÂNICA                         |
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| Legenda (Tipo)      | LISBON (Carimbo linear pré-filatélico)                     |
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| Oficina Postal      | Agência do British Packet Agent (Lisboa)                  |
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| Colorido            | Tinta oleosa preta                                        |
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| Catalogação         | Atribuição provável ao Tipo LX7 de Frazão (2012)          |
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| Grau de Raridade    | Raridade 3 (Escasso)                                      |
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| Estado / Diagnose   | Muito deficiente devido ao desvanecimento do pigmento.    |
|                     | Contudo, a morfologia dos carateres e a sua posição no    |
|                     | reverso alinham-se com o padrão de controlo de malas      |
|                     | postais da representação britânica.                       |
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Marca Territorial / Aduaneira Incomum: «E»

No anverso da peça, posicionada à esquerda, regista-se a estampagem de uma marca alfabética uniface «E», impressa a tinta preta. O seu estado de conservação é muito deficiente, exibindo uma leitura significativamente desvanecida.

·         Interpretação Crono-Tipológica: Sob a perspetiva marcofílica, este tipo de marca isolada está associada a funções de controlo administrativo, fiscal ou aduaneiro à entrada ou saída do porto de Lisboa. A determinação inequívoca da sua valência funcional permanece, contudo, em aberto, carecendo de cruzamento com fontes arquivísticas homólogas.

3. Marcas de Trânsito, Receção e Distribuição (Londres)

A chegada da mala postal à metrópole britânica determinou a aplicação sistemática de carimbos de controlo e triagem cronológica no dia 24 de janeiro de 1820, permitindo reconstituir a cadeia de custódia documental em solo inglês:

 ·         Foreign Post Office (FPO): Aplicação de um carimbo datador circular pontilhado (dotted / pearly circles), a tinta preta, com a legenda cronológica «JA • 24 • 1820». Esta marca autentica a passagem da carta pela repartição responsável pelo correio estrangeiro, apresentando uma legibilidade razoável.

 ·         London Chief Office Post (Two-Penny Post): Marca circular impressa a tinta vermelha, indicativa do sistema de distribuição urbana de Londres. O cunho exibe a data «JA • 24 • 1820» e a indicação horária «4 O'Clock», flanqueada pela abreviatura «EV» (Evening). Este pormenor indicia que a carta foi processada no turno da tarde/noite, integrando o circuito final de distribuição domiciliária do próprio dia de chegada.

Paleografia Epistolar e Contabilidade Postal (Taxação)

No topo do anverso, identifica-se um elemento crucial para a economia do documento: a anotação manuscrita de porte.  

Leitura Paleográfica: «2/6»

·    Análise Diplomática: Lançada com tinta ferrogálica escura através de um traço caligráfico firme e fluido, típico dos oficiais de mesa dos correios.

·      Interpretação Tarifária: A inscrição quantifica o valor devido pelo destinatário no ato de entrega, fixado em 2 shillings e 6 pence. Este montante englobava a taxa de transporte marítimo (Packet Rate) fixada pelas ordenanças postais britânicas para a rota de Lisboa, acrescida da taxa de circulação interna ou local (Two-Penny) na malha urbana londrina.

Considerações Finais

A peça analisada constitui um excelente testemunho material do funcionamento do Lisbon Packet, serviço regular de navios-correio que assegurava a ligação comercial e diplomática entre Portugal e o Reino Unido. O cruzamento das marcas pré-filatélicas de Lisboa com os carimbos de trânsito londrinos e a respetiva taxação manuscrita preenche os requisitos metodológicos para o estudo aprofundado das tarifas e dos itinerários postais do início do século XIX, ilustrando o rigor burocrático que antecedeu a era do selo postal.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Acervo e Ensaio — Museu de Filatelia Sérgio Pedro: A marca pré-filatélica CBR 8 de Coimbra e a taxação de um maço postal PT-CC-1834-PEN-LIS-FH

Acervo e Ensaio — Museu de Filatelia Sérgio Pedro: Carta Pré‑Filatélica de Penacova para Lisboa com T...:   

Entre os vários elementos que merecem atenção numa carta pré-filatélica portuguesa de 1834 expedida de Penacova para Lisboa, destacam-se a marca nominal COIMBRA, classificável como CBR 8, e a indicação manuscrita de porte 60 réis.

A marca nominal de Coimbra surge aplicada em tinta preta e apresenta características compatíveis com o tipo CBR 8 catalogado por Luís Frazão. Este carimbo foi utilizado durante um longo período, entre 10 de agosto de 1824 e 28 de novembro de 1837, constituindo uma das marcas identificativas do correio de Coimbra no período pré-filatélico.

A sua presença na carta possui significado histórico-postal relevante. Penacova integrava naturalmente a área de influência postal de Coimbra, pelo que a correspondência destinada a Lisboa era encaminhada através daquele importante centro de distribuição. A marca nominal documenta precisamente esta passagem pelo correio coimbrão, testemunhando o percurso seguido pela missiva dentro da rede postal portuguesa da primeira metade do século XIX.

Igualmente interessante é a anotação manuscrita “60”, aposta no canto superior direito do sobrescrito. O valor enquadra-se nas tarifas postais vigentes no período e é compatível com a circulação da correspondência entre Penacova e Lisboa, pois, segundo Frazão (2012): "Depois de haver usado selos fixos durante o primeiro período (1799-1801), o Correio de Coimbra passou a escrever manualmente os portes, logo no começo do segundo período até abril de 1835."

Contudo, permanece uma questão interpretativa que merece reflexão.

Para a esclarecer, procedeu-se a uma abordagem metodológica tridimensional, assente no estudo paleográfico e diplomático do conteúdo, na análise das marcas de trânsito físico e na avaliação metrológica do próprio fólio.

A leitura mais imediata consiste em considerar os 60 réis como o porte cobrado por esta carta em particular. Todavia, existem três evidências convergentes:

  1. Peso do fólio conservado

    • Cerca de 5 g.
    • Compatível com um escalão próximo das 2 oitavas de onça.
    • Incompatível, por si só, com o porte de 60 réis, associado ao escalão das 4 oitavas de onça (c. 14,34 g).
  2. Integridade das dobras originais

    • O sobrescrito preserva integralmente a configuração original de fecho.
    • Quando fechado, não evidencia acomodação para outros fólios.
    • Não existem vestígios físicos que permitam defender que a carta hoje preservada transportava documentação adicional no seu interior.
  3. Evidência textual

    • O conteúdo faz referência ao envio de outros elementos relacionados com a comunicação notarial.
    • A correspondência insere-se num contexto de troca de sinais públicos e documentação profissional.
    • O texto fornece um enquadramento plausível para a circulação simultânea de mais do que uma peça documental.

Assim, a explicação mais verosímil é que os 60 réis não correspondam ao peso da carta isoladamente, mas antes ao porte cobrado por um maço postal composto por esta carta e por outra documentação expedida em simultâneo.

Deste modo, a discrepância entre o peso efetivo do documento conservado e o valor do porte inscrito não enfraquece a hipótese do maço; pelo contrário, constitui um dos seus principais argumentos. Embora não seja possível determinar com absoluta certeza a composição desse eventual envio conjunto, a conjugação da evidência física com a informação contida no texto torna esta interpretação particularmente consistente.

A conjugação da marca nominal CBR 8 com o porte manuscrito de 60 réis oferece, assim, um pequeno mas interessante testemunho das práticas operacionais dos correios portugueses antes da introdução dos selos postais adesivos.

Para uma análise completa desta peça, incluindo o estudo da marca de chegada de Lisboa LSB 12, da discrepância cronológica entre a data da carta e a data de receção, da contramarca papeleira LOUZÃ 1833, dos aspetos notariais e do contexto histórico, consulte o blogue Acervo e Ensaio do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.

Acervo e Ensaio — Museu de Filatelia Sérgio Pedro - LSB 12: uma nova data tardia para o datador de chegada de Lisboa PT-CC-1834-PEN-LIS-FH

Acervo e Ensaio — Museu de Filatelia Sérgio Pedro: Carta Pré‑Filatélica de Penacova para Lisboa com T...:   
Carimbo circular de chegada de Lisboa classificado como LSB 12, impresso em tinta sépia sobre carta pré-filatélica portuguesa de 1834. A marca apresenta o numeral 22 na parte superior, a inscrição LISBOA em letras pequenas ao centro e o numeral 10 na parte inferior, correspondendo à data de chegada de 22 de outubro de 1834. O datador possui cerca de 21,5 mm de diâmetro e exibe as características típicas do tipo LSB 12 descrito por Luís Frazão. Este exemplar reveste-se de especial interesse marcofílico por documentar uma utilização dois dias posterior à última data publicada para este cunho (20-10-1834), constituindo uma nova data tardia conhecida para a marca. Exemplar do acervo do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.

No âmbito do estudo de uma carta pré-filatélica expedida de Penacova e recebida em Lisboa em 1834, procedemos à análise detalhada da marca de chegada aposta no sobrescrito. A comparação morfológica com os exemplares catalogados por Luís Frazão permite confirmar a sua identificação como LSB 12.

O carimbo apresenta as características distintivas deste tipo:

  • datador circular com cerca de 21,5 mm de diâmetro;
  • inscrição LISBOA em letras pequenas;
  • algarismos de grandes dimensões para a indicação da data;
  • impressão em tinta sépia;
  • disposição interna dos elementos coincidente com os exemplares de referência publicados.

A leitura da marca é clara:

LISBOA / 22 / 10

correspondendo a 22 de outubro de 1834.

Segundo o Catálogo de Marcas Postais Portuguesas Pré-Filatélicas de Luís Frazão, o período de utilização conhecido para o tipo LSB 12 situa-se entre 23-12-1833 e 20-10-1834.

O exemplar agora estudado documenta, contudo, uma utilização em 22-10-1834, ou seja, dois dias após a última data de utilização publicada para este cunho.

Embora a diferença cronológica seja reduzida, o seu significado marcofílico é relevante. A construção das cronologias de utilização das marcas postais pré-filatélicas depende precisamente da identificação e documentação de novas datas extremas. Neste caso, a peça permite ampliar o intervalo de utilização conhecido para o datador LSB 12, acrescentando uma nova data tardia ao registo atualmente disponível na bibliografia especializada.

Trata-se, por isso, de um contributo objetivo para o estudo das marcas de chegada de Lisboa e para o refinamento da cronologia dos datadores pré-filatélicos portugueses.

Importa sublinhar que esta descoberta constitui apenas um dos aspetos de interesse da carta. O documento apresenta igualmente outras particularidades relevantes sob os pontos de vista da história postal, história do notariado, história do papel e circulação da correspondência em período de Guerra Liberal.

Para uma análise integral da peça, incluindo a discrepância cronológica entre a data da carta e a data de chegada, a contramarca papeleira, o sinal público notarial e outros elementos materiais e históricos, consulte o artigo completo no blogue Acervo e Ensaio do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Postal Psychosociology: Interpretação marcofilica Carta Pré-Filatélica sobre fidelidade política, controlo social e comunicação entre elites Miguelistas (1830)

Postal Psychosociology: Carta Pré-Filatélica sobre fidelidade política, co...
Carta pré-filatélica portuguesa expedida de Silvalde para Lisboa em 28 de setembro de 1830. Documento manuscrito em papel vergé dobrado, dirigido ao Marechal de Campo Gabriel António Franco de Castro, contendo referências políticas ao contexto das Guerras Liberais. Conserva marca postal pré-filatélica PRT 8 do Porto, vestígios de obreia vermelha e timbre seco heráldico em relevo aplicado no canto superior esquerdo da carta. Exemplar do acervo do Museu de Filatelia Sérgio Pedro.

Entre os diferentes aspetos da História Postal pré-filatélica encontram-se as marcas postais e os elementos materiais que permitem reconstruir o trajeto de uma carta muito antes da introdução do selo adesivo. A peça que hoje apresentamos, expedida de Silvalde em 28 de setembro de 1830 e dirigida ao Marechal de Campo Gabriel António Franco de Castro, em Lisboa, constitui um excelente exemplo do funcionamento e da articulação do sistema postal português na primeira metade do século XIX.

Embora o conteúdo da correspondência esteja relacionado com a circulação da informação política durante a Guerra Civil Portuguesa, a defesa da autoridade régia e a administração militar, é sobretudo a combinação das marcas postais, formato e elementos materiais que confere à peça um elevado interesse marcofilico e histórico-postal.

O carimbo nominal PORTO (PRT 8)

Na frente da carta observa-se o carimbo nominal PORTO, catalogado sob a referência PRT 8.

Esta marca identifica a passagem e validação da correspondência na principal administração postal do Norte do país. Embora a missiva tenha sido escrita em Silvalde (atual concelho de Espinho), a proximidade geográfica ditou a sua introdução na rede de correios pública através do Porto. Para o estudioso da marcofilia portuguesa, o carimbo PRT 8 constitui a principal evidência documental da trajetória da carta, certificando a sua integração oficial no sistema postal pré-adesivo nacional antes de ser encaminhada para o sul.

A estrutura material e o timbre heráldico

Particularmente relevante é a preservação da peça no seu suporte original de folded letter (carta dobrada sobre si mesma).

O documento conserva vestígios da obreia de fecho usada para lacrar a folha e apresenta um timbre seco heráldico privado aposto na zona superior esquerda da correspondência. A presença desta marca pessoal confirma documentalmente a identidade e o estatuto social do remetente, D. Luiz Baratta Freire de Lima, ilustrando com precisão as redes de comunicação que interligavam elites locais, proprietários rurais e oficiais superiores do regime miguelista.

Reconstrução do percurso postal

Com base nas marcas observáveis e no contexto histórico, o itinerário foi:

Silvalde → Porto → Lisboa

A datação manuscrita em Silvalde assinala a génese da mensagem, ao passo que a marca postal PRT 8 comprova a entrada e o tratamento logístico da peça na rede postal do Porto.

Interpretação

A análise física do documento revela dados cruciais: o anverso ostenta a marca postal PRT 8 — carimbo nominal associado à administração do Porto —, mas exibe uma total ausência de indicações manuscritas de porte ou taxas em réis. Sob o ponto de vista estritamente empírico, no reverso da sobrecarta sobressai ainda a inscrição manuscrita "Volte - G.al" (General), enquanto o interior resguarda um timbre seco heráldico privado coroado com três pontas.

No plano interpretativo, e com base nas praxes marcofílicas da época, a conjugação destes elementos materiais sugere cenários históricos específicos que exigem cautela analítica:

·         A hipótese de Franquia de Ofício: A conjugação da marca postal PRT 8 com a total ausência de taxação visível sugere que a carta poderá ter circulado ao abrigo de um regime de franquia postal. A referência manuscrita a um «General» reforça a possibilidade de o destinatário beneficiar de prerrogativas administrativas suscetíveis de justificar essa isenção. Todavia, na falta de inscrições regulamentares ou de marcas postais que comprovem explicitamente a concessão de franquia, esta interpretação deve ser entendida como uma hipótese de trabalho apoiada em indícios materiais convergentes, e não como um facto demonstrado.


·         O circuito logístico do reencaminhamento: A nota manuscrita "Volte - G.al" no verso abre espaço para a interpretação de que o Marechal se encontraria ausente do seu quartel-general regular em Lisboa devido à mobilidade própria do estado de pré-guerra. Esta anotação funcionaria como uma diretiva postal interna para reencaminhar a missiva ou fazê-la retornar pela mala militar sem perda da isenção de porte.

·         A heráldica como código psicossocial: O posicionamento do timbre seco com a coroa exclusivamente no interior da folded letter pode ser interpretado como uma estratégia de segurança e preservação de estatuto. Num clima de vigilância obsessiva e censura postal, o "selamento" ocultava a identidade do remetente a intermediários, servindo como um elemento de autenticação visual destinado apenas ao recetor.

Conforme já explanado no blog Postal Psychosociology, esta correspondência funciona como um notável testemunho da circulação da informação política e do controlo social durante a Guerra Civil Portuguesa. Redigida por D. Luiz Baratta Fr.e de Lima, a peça documenta as redes psicossociais de fidelidade que ligavam elites locais, proprietários rurais e oficiais superiores apoiantes do regime miguelista. As suas marcas postais e anomalias tarifárias são a prova material de que a máquina burocrática e a rede de correios oficial eram vitais para a coesão do poder absolutista em tempos de crise.

Referência da peça: PT-CC-1830-PORT-LIS-FH