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📌 “Este blog integra o ecossistema: Museu de Filatelia Sérgio Pedro: Estudos, peças raras, maximafilia, marcofilia e história postal.

Diferentes tipos de Marcas Postais

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Olhão - Correspondência remetida em 1935 por Pedro de Souza Oliva & Santos Lda.


 
✉️ Descrição Postal

✉️ Elementos de Marcofilia

  • Obliteração: Carimbo datador circular tipo 1880, batido a preto, com inscrição “CORRºETELº-12.AGO.35 - OLHÃO”
  • Marca de receção: Carimbo circular datado tipo 1925 de São João da Madeira, datado de 14 de agosto de 1935

🧾 Conteúdo Comercial

Mensagem manuscrita solicitando com urgência o envio de chapéus previamente encomendados, devido à escassez dos mesmos. O texto revela uma relação comercial ativa entre empresas ligadas à indústria de chapelaria e calçado, com linguagem cortês e direta, típica da correspondência empresarial da década de 1930.

📌 Valor Histórico e Filatélico

Esta peça destaca-se por:

  • Documentar práticas comerciais interindustriais entre o sul e o norte de Portugal
  • Apresentar percurso postal completo com carimbos de expedição e receção distintos
  • Conter conteúdo manuscrito com valor documental, revelando o dinamismo da indústria de chapelaria e calçado em Portugal
  • Utilização de inteiro postal como meio económico e eficiente de comunicação empresarial

domingo, 3 de agosto de 2025

Entre Tavira e Lisboa: A Confiança Bancária de Samuel Amram validada por João Rodriguez Gomes Centeno – Uma Carta Comercial de 1871 com carimbo muito raro da Direção dos Correios de Tavira


✉️ Descrição Postal

✉️ Elementos de Marcofilia

  • Selo: D. Luís I, 25 réis, fita direita, cor carmim
  • Obliteração:
    • Carimbo de barras oval tipo 3.2.3 mal batido a preto, numérico "218" de Tavira
    • Outras marcas postais:
      • Carimbo circular da Direção dos Correios de Tavira
      • No verso, repetição do carimbo de barras oval "218"
      • Marca dia circular primitiva de trânsito por Faro, datada de 15-07-1871, com erro de datador invertido ("51" em vez de "15")
      • Carimbo quadrado de chegada a Lisboa, datado de 02-08-1871

🧾 Conteúdo Comercial

Carta manuscrita datada de 21 de abril de 1871, enviada por João Rodriguez Gomes Centeno a Barroso e Companhia:

"Acuso a receção do passado favor de V. Ex.a de 23 do atual, do qual eu tirei dúvida e nada.

Debitem salvo qualquer dúvida na cobrança valor 30385 réis incluse endosso a sua nossa chaves saque credível de Samuel Amram a 8 (…) sua comunicação.

A 50$00 de meu saque a Abreu e companhia documento número 347 e 11$00 a meu saque de José Pedro Mascarelhas documento número 348 e debitado."

📌 Enquadramento Filatélico

O carimbo da Direção do Correio de Tavira foi provavelmente aposto como validação oficial da carta, dado o seu conteúdo sensível — uma declaração de idoneidade para entrega de valor elevado em dinheiro. Este tipo de carimbo administrativo era utilizado para:

  • Autenticar correspondência com implicações legais ou financeiras
  • Confirmar a origem e responsabilidade da estação postal
  • Assegurar conformidade com os regulamentos postais em correspondência registada ou comercial

📚 Valor filatélico e histórico

Esta peça destaca-se pela conjugação de elementos filatélicos raros e significativos:

  • Dupla impressão do carimbo oval numérico de Tavira (apesar de ilegível)
  • Carimbo oval personalizado com nome do remetente
  • Conteúdo manuscrito com valor documental e comercial


Marcofilia Algarvia: Carta Comercial de 1868 com Carimbo nominal e de barras de Tavira

 


📌 Descrição Filatélica

  • Selo: 25 réis carmim rosa
  • Série: D. Luís I – Fita Curva
  • Tipo: Denteado
  • Obliteração: Carimbo numérico circular “217”, tipo 4.3.4, mal batido
  • Origem: Tavira a 17-01-1868
  • Carimbo nominativo: Oval de Tavira, batido a preto
  • Marca de trânsito: Marca dia circular primitiva de Faro, datada de 18-01-1868
  • Marca de chegada: Carimbo quadrado de Lisboa, datado de 19-01-1868
  • Remetente: Gonçalo José de Lagos
  • Destinatário: Motta & Vaz

📖 Conteúdo Manuscrito

A carta refere-se a um acerto de conta corrente relacionado com uma letra enviada em agosto por intermédio do Sr. Sebastião Ramires, residente em Vila Real de Santo António. 


📚 Contexto Curatorial

Esta peça é um testemunho valioso da circulação postal e das práticas comerciais no sul de Portugal no século XIX. A presença de três marcas postais distintas — origem, trânsito e chegada — permite reconstituir com precisão o percurso da carta. O conteúdo revela redes de confiança e comunicação entre comerciantes algarvios e lisboetas, com menção a um intermediário de Vila Real de Santo António, o que reforça o interesse temático para coleções de marcofilia regional, história postal comercial e relações interprovinciais.

História Postal: Olhão–Mértola em 1878 com carimbo nominativo circular de Olhão e carimbo de barras oval 216, tipo 3.2.3



📌 Descrição Filatélica

  • Selo: 25 réis carmim rosa
  • Série: D. Luís I – Fita Direita
  • Tipo: Denteado
  • Catálogo: Afinsa n.º 21 / Yvert n.º 20
  • Obliteração: Carimbo numérico oval “216”, tipo 3.2.3, mal batido
  • Local de expedição: Olhão
  • Data: 17-06-1878
  • Remetente: António S. Guerreiro
  • Destinatário: Manoel António da Cruz, Mértola
📬 Marcas Postais

  • Carimbo nominativo: Circular de Olhão, batido a preto
  • Marca dia primitiva no verso: Circular primitiva de Faro, datada de 20-06-1878
📖 Contexto Curatorial

Esta carta é um testemunho da circulação postal entre o Algarve e o Baixo Alentejo no século XIX. O carimbo oval “216” identifica Olhão na Segunda Reforma Postal. A presença de carimbos frontais e traseiros permite rastrear o percurso postal. O selo de 25 réis corresponde à tarifa de correio simples para o interior, sendo esta peça relevante para coleções sobre marcofilia regional, história postal interprovincial e emissões clássicas de Portugal.

Carimbo de São Brás de Alportel (1892) sobre o 5 Réis Laranja de D. Carlos I - Variação Tipográfica no Carimbo

 


📌 Descrição Filatélica

  • Emissão: D. Carlos I – Série de 1892
  • Valor facial: 5 Réis
  • Cor: Laranja
  • Desenho: Diogo Neto
  • Impressor: Casa da Moeda
  • Tipo de impressão: Tipografia
  • Catálogo: Afinsa n.º 68

📬 Obliteração

  • Tipo de carimbo: Datador circular, tipo 1880
  • Cor da tinta: Preto
  • Texto visível: “CORRºETELº-22ABR95-S. BRAZ D’ALPORTEL”
  • Local de obliteração: São Brás de Alportel
  • Data: 8 de dezembro de 1892

📖 Contexto Histórico e Curatorial

Este selo de 5 réis integra a primeira emissão do reinado de D. Carlos I, destinada a franquiar impressos e jornais de circulação interna. A sua obliteração com carimbo datador de São Brás de Alportel, em 1892, confere-lhe valor documental e regional, testemunhando a atividade postal no interior algarvio no final do século XIX.

A marca “S.BRAZ D’ ALPORTEL” é representativa do tipo de carimbo circular datado introduzido em 1880, utilizado em estações postais de menor movimento. A nitidez da data e a integridade do selo tornam este exemplar particularmente relevante para coleções temáticas sobre história postal do Algarve ou reinado de D. Carlos I.

🗂️ Classificação Temática Sugerida

  • História Postal Portuguesa
  • Marcofilia do Algarve
  • Reinado de D. Carlos I
  • Obliterações do tipo 1880

Carimbo de São Brás de Alportel (1892) sobre o 5 Réis Laranja de D. Carlos I


 

📌 Descrição Filatélica

  • Emissão: D. Carlos I – Série de 1892
  • Valor facial: 5 Réis
  • Cor: Laranja
  • Desenho: Diogo Neto
  • Impressor: Casa da Moeda
  • Tipo de impressão: Tipografia
  • Catálogo: Afinsa n.º 68

📬 Obliteração

  • Tipo de carimbo: Datador circular, tipo 1880
  • Cor da tinta: Preto
  • Texto visível: “S.BRAZ-8DEZ92-D’ ALPORTEL”
  • Local de obliteração: São Brás de Alportel
  • Data: 8 de dezembro de 1892

📖 Contexto Histórico e Curatorial

Este selo de 5 réis integra a primeira emissão do reinado de D. Carlos I, destinada a franquiar impressos e jornais de circulação interna. A sua obliteração com carimbo datador de São Brás de Alportel, em 1892, confere-lhe valor documental e regional, testemunhando a atividade postal no interior algarvio no final do século XIX.

A marca “S.BRAZ D’ ALPORTEL” é representativa do tipo de carimbo circular datado introduzido em 1880, utilizado em estações postais de menor movimento. A nitidez da data e a integridade do selo tornam este exemplar particularmente relevante para coleções temáticas sobre história postal do Algarve ou reinado de D. Carlos I.

🗂️ Classificação Temática Sugerida

  • História Postal Portuguesa
  • Marcofilia do Algarve
  • Reinado de D. Carlos I
  • Obliterações do tipo 1880

Comunicação Comercial de 1963 remtida por João Arranita da Foto Studio em Inteiro Postal: Carimbo circular datado, tipo 1944 de São Brás de Alportel

 


📬 Tipo de Documento

Inteiro Postal manuscrito

  • Data: 29 de dezembro de 1963
  • Local de origem: São Brás de Alportel
  • Remetente: João Arranita, proprietário do Foto Studio São Brás de Alportel
  • Destinatário: Sr. Fernando Ribeiro de Araújo, 2.º Comandante, Ponte

✍️ Conteúdo da Mensagem

A carta trata de uma comunicação comercial relacionada com uma encomenda e pagamento postal:

    Resumo do conteúdo:

  • João Arranito confirma o recebimento parcial de uma encomenda feita por postal.
  • Informa que enviará o restante assim que o destinatário o remeter.
  • Envia, pelo mesmo correio, um vale registado n.º 807492 no valor de 689$40 para liquidar a fatura n.º 3630 P.
  • Menciona que aplicou o desconto habitual de f.p.f. (possivelmente “fotografia para fins profissionais” ou outro termo comercial da época).
  • Finaliza com uma saudação respeitosa.

🧾 Valor Histórico e Curatorial

  • Importância regional: Documento originado em São Brás de Alportel, reforçando o papel da vila na rede postal e comercial do Algarve.
  • Valor documental: Testemunho de práticas comerciais e uso dos serviços postais registados em meados do século XX.
  • Relevância pessoal: O remetente é identificado como comerciante local, ligado à fotografia, o que pode ser explorado em exposições sobre comércio e cultura visual.

sábado, 2 de agosto de 2025

Postal Ilustrado do Algarve para Lisboa (1973): Mensagem Familiar e Variação Tipográfica no Carimbo de Albufeira

 


📬 Descrição Postal:

  • Data de circulação: 18-06-1973
  • Origem: Algarve, Portugal
  • Destino: António Salvador de Carmo, Rua Conde de Ficalho n.º 36, Lisboa:5
  • Selo: Série comemorativa da 20.ª Olimpíada Moderna – Munique 1972, valor facial de 50 centavos, cor verde, com inscrição “OLIMPÍADA”
  • Obliteração: Carimbo circular datado, tipo 1944 "CTT-19.6.73-ALBUFEIRA (corpo tipográfico de Albufeira mais espaçado aproximadamente 1 mm comparativamente à marca anterior)

✍️ Conteúdo Manuscrito: Mensagem informal dirigida a familiares, relatando chegada ao Algarve após boa viagem, com referência ao clima ameno, mar calmo e trovoadas. Expressa intenção de explorar a região e envia cumprimentos calorosos.

📦 Contexto Histórico e Temático: O postal insere-se no contexto turístico crescente do Algarve nos anos 1970, período em que a região se afirmava como destino balnear nacional e internacional. A referência à “descoberta do Algarve” sugere um espírito de lazer e exploração, típico da classe média urbana em férias.

O uso de linguagem afetiva e familiar (“Xi da Laurinha & Cª”) reforça o valor social da peça como testemunho de relações interpessoais e práticas comunicativas da época.

📮 Valorização Filatélica e Temática:

A diferença no corpo tipográfico do carimbo “ALBUFEIRA”, que representa uma variação relevante para estudo de marcofília.

A data de 1973 é relevante por anteceder o período revolucionário de 1974, marcando o fim de uma era de turismo sob o Estado Novo.

O conteúdo manuscrito e o destinatário identificado contribuem para o valor documental e histórico da peça.

Sobrescrito circulado de Albufeira para Marim em 19 de fevereiro de 1964 obliterado com marca dia tipo 1944

 

Descrição Postal

  • Remetente: Frutuosa da Glória do Carmo
  • Endereço: Bairro dos Pescadores, n.º 23, Albufeira
  • Destinatário: D. Rosária Lopes - Ao cuidado de Sebastião Viegas, frente à Fábrica Guerreiro Marim, Olhão
  • Data de circulação: 19-02-1964
  • Origem: Albufeira
  • Destino: Marim

Elementos Filatélicos

  • Selo: Emissão de autoridade de D. Dinis, valor facial de 1 escudo, cor castanha
  • Obliteração: Carimbo circular datado tipo 1944, batido a preto, com sinais de + nas laterais, inscrição: “ALBUFEIRA - 19 FEV 64”

Contexto Histórico e Postal

Em 1964, Portugal encontrava-se sob o regime do Estado Novo, com forte controlo administrativo e económico. A correspondência entre localidades algarvias como Albufeira e Olhão reflete a continuidade das redes familiares e laborais, especialmente em torno da indústria conserveira.

Análise Filatélica de um Sobrescrito Comercial de 1897, circulado de Albufeira para Messejana

 


✉️ Análise Filatélica – Sobrescrito Comercial (1897)

  • Remetente: António do Carmo Madeira, comerciante estabelecido em Albufeira, Algarve
  • Destinatário: Lavrador Henriques, residente próximo à praça em Messejana, Alentejo
  • Data de circulação: 16 de julho de 1897
  • Selo: D. Carlos I, tipo Mouchon, valor facial de 25 réis, cor verde
  • Obliteração: Carimbo circular datado, tipo 1880, batido a preto com a inscrição: “CORRºETELº - 16JUL97 - ALBUFEIRA”

📬 Contexto e Relevância:

Este sobrescrito representa uma peça de correspondência comercial entre duas regiões distintas: o Algarve e o Alentejo, evidenciando a rede de trocas agrícolas e mercantis no final do século XIX. O selo Mouchon de 25 réis era utilizado para o porte de cartas simples dentro do território nacional.

O carimbo tipo 1880 de Albufeira está bem conservado e claramente legível, o que valoriza a peça do ponto de vista filatélico. A referência ao destinatário como “Próximo à praça” sugere uma localização central e possivelmente ligação ao comércio agrícola.

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Carta Comercial de Albufeira para Lisboa: Correspondência de Agosto de 1856 com Selo de D. Pedro V que também entrou em circulação nesse mês


Descrição da Peça

  • Data manuscrita: 21 de agosto de 1856
  • Local de expedição: Albufeira
  • Remetente: Francisco Jozé de Lima
  • Destinatário: Motta e Vaz, Rua da Madalena, nº 20, Lisboa
  • Franquia Postal
    • Selo: Emissão de D. Pedro V, cabelos anelados, valor facial de 25 réis, cor azul (Mf#12).
  • Obliteração:
    • Sobre o selo: Carimbo obliterador não identificável com clareza, presumivelmente o carimbo de barras 4.3.4 numérico 209, batido a preto.
    • Origem: Carimbo oval “ALBUFEIRA”, mal batido a preto.
    • Chegada: Carimbo circular de Lisboa, datado de 28-8-1856, pouco legível.
Conteúdo e Contexto Histórico-Postal

Esta carta comercial refere o envio de uma letra de câmbio no valor de 150$000 para abatimento em conta corrente. O remetente solicita ainda o envio de solas de couro, ilhoses e outros materiais para fabrico de calçado, a serem expedidos por vapor com destino ao porto de Portimão, ou por outro barco que parta primeiro para o mesmo destino.

O documento ilustra o dinamismo das trocas comerciais entre o Algarve e Lisboa em meados do século XIX, evidenciando a importância dos transportes marítimos e a crescente especialização artesanal na região. A presença de um selo da emissão de D. Pedro V e os carimbos utilizados permitem contextualizar a peça no período inicial da reforma postal portuguesa.

História Postal e Presença Judaica no Algarve (1866): Carimbo Numérico 208 e Papel Timbrado de Samuel Amram



 📌 Descrição Técnica

Data do documento: 16 de março de 1866

Remetente: Samuel Andersen

Destinatário: Henrique Andersen

Endereço: Largo de São João Napomuceno às Escadinhas, Nº 8, Lisboa

Local de expedição: Faro

Franquia: Selo de 25 réis não denteado da emissão D. Luís I – CE 16

Carimbo obliterador:

  • Tipo: Carimbo de barras circular
    • Classificação: 4.3.4
    • Numeração: 208 (atribuído a Faro)
    • Marca de origem: Carimbo circular de Faro – 17-03-1866
    • Marca de chegada: Carimbo quadrado preto de Lisboa – 19-05-1866
    • Suporte: Papel timbrado com o nome "Samuel Amram – Faro"

🧭 Análise Marcofílica

✅ Carimbo Numérico 208

  • Pertence à 1.ª reforma postal portuguesa (1853–1870).
  • Atribuído à estação postal de Faro, é um dos carimbos numéricos mais representativos do sul do país.
  • O tipo 4.3.4 (barras circulares com número ao centro) é característico da época e valorizado em coleções de marcofilia clássica.

🕰️ Carimbos de Trânsito e Chegada

  • O carimbo circular de Faro confirma a expedição a 17 de março de 1866.
  • O carimbo quadrado de chegada a Lisboa, datado de 19 de maio de 1866, apresenta um intervalo invulgar de dois meses, sugerindo possível retenção, reexpedição ou erro postal.

🕰️ Enquadramento Histórico

A carta foi redigida em papel timbrado de Samuel Amram, figura marcante da história judaica no Algarve. Amram terá sido o primeiro judeu a chegar à região, vindo de Tetuão em 1813. No século XIX, muitos judeus em Portugal e na Europa enfrentavam pressões sociais e económicas que os levavam à assimilação cultural, frequentemente através da mudança de nomes.

O edifício onde Samuel Amram instalou a sua atividade industrial é hoje o Museu Municipal de Faro. Originalmente uma judiaria, foi depois convento, armazém de peixe e, finalmente, fábrica de cortiça durante cerca de 100 anos, após aquisição por Amram.

🖼️ Importância Filatélica e Marcofílica

A peça é um testemunho da rede postal portuguesa no século XIX, com destaque para a utilização de carimbos numéricos e marcas de trânsito.

A presença de papel timbrado comercial e a ligação à história da comunidade judaica no Algarve conferem-lhe valor documental e cultural.

A carta é relevante para coleções temáticas sobre:

  • Carimbos numéricos da 1.ª reforma postal
  • História postal do Algarve
  • Correspondência comercial do século XIX
  • Presença judaica em Portugal

Carta Comercial de Fernando Alvares Barbosa para Mota & Vaz com Carimbo 219 (1.ª reforma postal) e Marca Nominal Linear de Vila Real de Santo António


Descrição Técnica

  • Data de expedição: 6 de dezembro de 1864
  • Remetente: Fernando Alvares Barbosa 
  • Origem: Vila Real de Santo António
  • Destino: Lisboa
  • Destinatário: Mota & Vaz - Armazém de Solas
  • Franquia: Selo de 25 réis não denteado da emissão D. Luís I – CE 16
  • Obliteração: 
    • Carimbo de barras 4.3.4 numérico 219
    • Marca nominal Linear de "VA Real de S ANTº" batida a preto
  • Marcas postais adicionais: 
    • Circular de trânsito por Faro: 7 de dezembro de 1864 
    • Carimbo quadrado de chegada a Lisboa: 8 de dezembro de 1864

📜 Conteúdo Manuscrito

A carta, datada de 6 de julho de 1864, revela transações comerciais relacionadas com a compra de material de solas

Este conteúdo oferece uma perspectiva sobre práticas comerciais  e relações de confiança entre comerciantes da época.

400 mil réis em trânsito: carta de Loulé com percurso completo e carimbo raro - Carimbo nominal oval, com inscrição “LOULÉ” batido a preto LF LLE2 rar10



Tipo de peça: Correspondência manuscrita com função financeira

Data: 4 de outubro de 1859

Remetente: Joaquim José Santos

Destinatário: Motta & Vaz (no conteúdo o remetente trata como Compadre/Companheiro? e Amigo

Descrição e Contextualização

Esta carta, de Loulé datada de 1859, é um exemplo notável de correspondência com função de instrumento financeiro, anterior à introdução dos selos postais em Portugal. O remetente autoriza o pagamento de 400000 réis ao portador, solicitando que o valor seja debitado na sua conta corrente. A linguagem formal e a estrutura epistolar refletem os usos comerciais da época, baseados na confiança e na reputação entre as partes.

Importância Histórica e Documental

  • Valor elevado: A quantia de 400000 réis representa uma soma significativa, reforçando o caráter oficial e económico da carta.
  • Função de crédito: A peça funciona como uma ordem de pagamento, prática comum no comércio do século XIX.
  • Estilo epistolar: A carta encerra com fórmulas de cortesia típicas da época, revelando o protocolo social e comercial vigente.
Esta carta representa um excelente exemplo da circulação postal portuguesa na época adesiva, com percurso completo e documentado entre Loulé, Faro e Lisboa. Foi expedida a 4 de outubro de 1859 e chegou ao destino em apenas dois dias, a 6 de outubro, evidenciando a eficiência dos serviços postais da época.

Elementos Filatélicos e Marcofilia
  • Selo: Emissão de D. Pedro V – Cabelos anelados, valor facial de 25 réis, correspondente à tarifa de correio simples nacional.
  • Obliteração: Carimbo de barras horizontais 4-3-4, com número 214, atribuído à estação de Loulé, usado para inutilizar o selo.
    • Carimbo de origem: Carimbo nominal oval, com inscrição “LOULÉ” batido a preto preto LF LLE2 rar10 Marca bem batida. Só é conhecido mais uma peça com obliteração nesta cor.
    • Carimbo de trânsito: Marca circular datada “FARO-5|10-1859”, indicando passagem por Faro em 05.OUT.1859.
    • Marca de chegada: Carimbo oval preto no verso, com inscrição de Lisboa e data de receção 06.10LISBOA59
Importância Filatélica
  • A carta documenta um percurso postal completo, com três etapas marcadas por carimbos distintos.
  • A presença de carimbo circular de trânsito por Faro é relevante, pois nem todas as cartas da época o apresentam.
  • Marca adicional: Marca nominal oval “LOULÉ”, reutilizada do período pré-adesivo como marca de origem
  • A utilização do carimbo numérico 214 permite a identificação precisa da origem postal, valorizando a peça do ponto de vista da marcofilia.

Inteiro postal de Monchique (1935): Carimbo tipo 1880 de 27 mm (em uso tardio)


Tipo de peça:
Inteiro postal circulado

Data de expedição: 29 de junho de 1935

Data de receção: 30 de junho de 1935, às 1:10M

Origem: Monchique

Destino: Calçada do Marquês de Abrantes n.º 25 - Lisboa

Franquia: Impressa · 25 centavos

Tipo de emissão: Inteiro postal da República Portuguesa com selo impresso representando os Lusiadas

Obliteração de origem:

  • Carimbo datador circular tipo 1880, batido a preto, com a inscrição:
    • CORRºETELº - MONCHIQUE · 29.JUN.35·
    • Diâmetro aproximado: 27 mm

Marcas de receção:

  • Flâmula ondulada com carimbo hexagonal de Lisboa Central · 2.ª Secção
  • Data: 30.6.35 · 1-10M

Conteúdo manuscrito (verso):

  • Remetente: Sebastião Fernandes
  • Destinatário: Sr. Henrique Antunes de C., Lisboa
  • Mensagem: Aviso de cobrança de 8$00, referente a conta aberta em 17 de abril. 

Observações filatélicas:

  • Combinação de carimbo tipo 1880 com flâmula ondulada e carimbo hexagonal representa bem a transição entre - Tempo de trânsito de 1 dia entre Monchique e Lisboa demonstra a eficiência dos serviços postais da época.
  • Escrita manuscrita cursiva típica da correspondência comercial da década de 1930.

Interesse filatélico:

Peça representativa da circulação postal em Portugal durante a década de 1930.

Valor documental para coleções sobre:

  • Inteiros postais da República
  • Marcofilia rural e urbana
  • História postal do Algarve
  • Carimbos tipo 1880 em uso tardio

Postal ilustrado de Monchique (1918): Selo Ceres de ½ centavo e carimbo circular, tipo 1880 de 29 mm (circulado como impresso ou será uma tolerância postal?)



Postal ilustrado: Caldas de Monchique – Paraizo

Tipo de peça: Postal ilustrado circulado

Editor: A. Malva

Imagem: Vista bucólica das Caldas de Monchique, com vegetação densa e curso de água, representando o ambiente termal da região.

Data de circulação: 15 de dezembro de 1918

Origem: Monchique (Algarve)

Destino: Caldas da Rainha

Selo: Emissão Ceres, ½ centavo, cinzento escuro

Obliteração:

  • Frente: Carimbo datador circular tipo 1880, batido a preto – “CORRºETELº - 15.DEZ.18 - MONCHIQUE” de 29 mm de diâmetro
  • Verso: Repetição do carimbo de Monchique e vestígios da marca dia tipo 1880 de Caldas da Rainha


Observações marcofilatélicas:

  • O postal não possui franquia impressa, sendo necessário o uso de selo adesivo.
  • A tarifa de ½ centavo é inferior à tarifa normal de 1 centavo para bilhete postal simples, o que pode indicar:
    • Circulação como impresso ou sob tarifa especial
    • Possível erro ou tolerância postal
    • A dupla obliteração (frente e verso) é característica da época e reforça a autenticidade da circulação.

Tendo em atenção que o destinatário está carimbado em cor violeta, sendo que na prática o remetente não teria um carimbo com o nome do destinatário, consideramos que a hipótese mais provável é que se trate de uma tolerância postal para efeitos de colecionismo, tendo o postal sido preparado pelo destinatário.

Interesse filatélico:

  • Combinação de imagem regional, selo da República (Ceres) e carimbo tipo 1880.
  • Representa o uso dos serviços postais em zonas termais e rurais no pós-Primeira Guerra Mundial.
  • Valor documental e estético para coleções temáticas sobre termalismo, Algarve, ou emissões Ceres.

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Selo da Emissão "Jornaes" – 2½ réis com carimbo de Aljezur



Descrição do selo:

Selo português da emissão especial para jornais, com valor facial de 2½ réis, destinado ao porte reduzido de publicações periódicas. Esta emissão visava facilitar a circulação da imprensa escrita, promovendo o acesso à informação no século XIX.

Data de Obliteração: 08 de outubro de 1893

Tipo de Carimbo: 

  • Carimbo datador circular, tipo 1880, batido a preto, com a inscrição: “CORRºETELº - 8OUT93 - ALJEZUR”

Local de Obliteração:

Aljezur, pequena vila do Algarve, cuja presença em obliterações postais é relativamente rara, conferindo interesse adicional ao exemplar.

Contexto Histórico:

A emissão "Jornaes" foi criada para responder às necessidades específicas do envio de jornais, com tarifas reduzidas. O carimbo utilizado nesta peça pertence ao tipo introduzido em 1880, que combinava funções postais e telegráficas, refletindo a modernização dos serviços de comunicação em Portugal.

Interesse Filatélico:

  • Este exemplar destaca-se pela conjugação de três elementos de valor:
    • A natureza especializada do selo (tarifa de jornais);
    • A obliteração clara e completa com data e local identificáveis;
    • A origem postal pouco comum (Aljezur), valorizando coleções temáticas ou regionais.

Classificação:

Filatelia Clássica Portuguesa – Emissões Especiais – Obliterações Raras

Silves–Odeceixe, 1936: Inteiro Postal com Percurso completo, diferentes tipos de carimbo e marca de Aljezur

 


📨 Inteiro Postal “Tudo pela Nação” – Silves para Odeceixe, 1936

  • Tipo de peça: Inteiro postal circulado
  • Emissão: Bilhete postal de franquia paga, valor facial 25 centavos, com a legenda patriótica “Tudo pela Nação”, típica das emissões do Estado Novo
  • Data de expedição: 16 de março de 1936
  • Origem: Silves
  • Destino: José Estêvão d’Oliveira, industrial de cortiças, Odeceixe
  • Remetente: Sebastião Garcia

✉️ Marcação Postal e Percurso

A peça apresenta um percurso postal completo e documentado através de três carimbos circulares datados:

  • Silves (origem):
    • Carimbo tipo 1928, batido a preto
    • CORRºETELº - 16 MAR 36 - SILVES
  • Lagos (trânsito):
    • Carimbo tipo 1880, batido a preto
    • CORRºETELº - 17 MAR 36 - LAGOS
  • Aljezur (receção):
    • Carimbo tipo 1880, batido a preto
    • CORRºETELº - 21 MAR 36 - ALJEZUR

🔎 Nota filatélica: A marca postal de Aljezur é considerada muito rara em peças circuladas, o que confere à peça um valor filatélico adicional significativo.

🏛️ Contexto Histórico e Postal

Este inteiro postal circulou no sul de Portugal, entre Silves e Odeceixe, passando por Lagos e Aljezur. A legenda “Tudo pela Nação” reflete o espírito nacionalista do Estado Novo, sendo característica das emissões postais da década de 1930.

O percurso postal está bem documentado, totalizando 5 dias de trânsito, e evidencia a eficiência da rede postal regional. O destinatário, José Estêvão d’Oliveira, era um industrial de cortiças, setor de grande importância económica no Algarve.

Correspondência de Negócios em 1862: Uma Carta de Blanco e Pablos (provavelmente redigida por/ou a mandado de Francisco Gomes Pablos) - Marca nominal linear “SILVES”


📨 Carta Comercial Circulada de Silves para Lisboa – 1862

Tipo de peça: Carta comercial circulada

  • Data de expedição: 26 de setembro de 1862
  • Origem: Silves
  • Destino: Henrique Andersen, Rua das Escolas Gerais, 132, Lisboa
  • Remetente: Blanco e Pablos — firma comercial ativa em Silves, provavelmente representada por Francisco Gomes Pablos, capitalista de relevo local e proprietário de uma importante unidade fabril na cidade.
  • Destinatário: Henrique Andersen — nome comercial de João Henrique Andersen, empresário com negócios sediados no Porto, mas que passava longas temporadas em Lisboa por motivos de saúde e negócios, tendo falecido nessa cidade.

Selo: 25 réis carmim rosa, emissão de D. Luís I, tipo pérolas afastadas

Obliteração: Carimbo de barras numérico “216”, tipo 4.3.4, atribuído à estação postal de Silves durante a 1.ª Reforma Postal Portuguesa

Marca adicional: Marca nominal linear “SILVES”, reutilizada do período pré-adesivo como marca de origem

Carimbos de trânsito e receção:

  • Faro: carimbo circular datado de 27/09/1862
  • Lisboa: carimbo circular de receção datado de 29/09/1862

🏛️ Contexto Histórico e Postal

Esta carta constitui um testemunho notável da circulação postal comercial no sul de Portugal durante o século XIX. A conjugação de elementos do período pré-adesivo (marca “SILVES”) com a franquia filatélica (selo de D. Luís I) ilustra a transição entre sistemas postais. O uso do carimbo numérico “216” insere-se na 1.ª Reforma Postal, que introduziu a padronização das obliterações em Portugal.

O remetente, Francisco Gomes Pablos, figura de destaque na economia local, contribuiu para o desenvolvimento industrial de Silves. O destinatário, João Henrique Andersen, é igualmente relevante, sendo um empresário com atividade nacional e presença frequente em Lisboa, onde viria a falecer.

Do Cofre do Convento à Câmara Eclesiástica: Uma Carta com História (marca nominal de Tavira)


 📨 Ficha Descritiva de Peça Filatélica

Tipo de Peça: Carta oficial pré-filatélica

Data: 29 de dezembro de 1839

Origem: Tavira (Algarve, Portugal)

Destino: Secretaria da Câmara Eclesiástica, Faro

Remetente: Pároco de Tavira (?) 

Destinatário: João Pedro Lamine, Secretário da Câmara Eclesiástica

Marcas Postais:

  • Indicação manuscrita de “Serviço Nacional” (correspondência oficial isenta de porte)
  • Marca oval manuscrita ou carimbo de “TAVIRA” batida a azul
  • Transporte: Serviço oficial do Reino (correio administrativo)

Conteúdo:

Carta de esclarecimento sobre o depósito de valores no cofre do convento.

🏛️ Contexto Histórico e Postal

Peça representativa da correspondência oficial eclesiástica no sul de Portugal durante o período pré-filatélico. A marca manuscrita de isenção de porte e a marca de origem “TAVIRA” são típicas da época. O conteúdo financeiro e administrativo reforça o valor documental da peça, refletindo práticas de gestão de fundos religiosos no século XIX.

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Correspondência Eclesiástica Pré-Filatélica: A Confirmação de Residência de António Joaquim de Oliveira em 1839

 


Descrição Filatélica

  • Tipo de peça: Carta oficial pré-filatélica
  • Data: 23 de maio de 1839
  • Origem: Freguesia de São Clemente de Loulé
  • Destino: Secretaria da Câmara Eclesiástica, Faro
  • Remetente: Pároco da freguesia de São Clemente
  • Destinatário: Il.mo Sr. Secretário da Câmara Eclesiástica
  • Marcação postal: Manuscrita, com indicação de “Serviço Nacional” e marca nominal oval de “LOULÉ”
  • Transporte: Serviço oficial do Reino (correspondência isenta de porte)
  • Formato: Dobrada em forma de carta sem envelope, com endereço no verso
  • Estado de conservação: Bom, com caligrafia legível e estrutura física íntegra

 

Conteúdo:

O pároco da freguesia de São Clemente comunica oficialmente à Câmara Eclesiástica que António Joaquim de Oliveira, que se encontra em vias de ser ordenado presbítero, reside na paróquia. A carta é redigida em resposta a um ofício anterior, no âmbito de um processo de verificação de residência, prática comum nos trâmites eclesiásticos relacionados com a ordenação sacerdotal.

 

Importância postal e histórica:

Esta carta é um exemplo representativo da correspondência oficial eclesiástica no Portugal pré-filatélico, ilustrando o papel da Igreja na administração local e os procedimentos formais associados à ordenação de clérigos. A menção explícita ao “Serviço Nacional” e a ausência de porte postal reforçam o seu estatuto de correspondência oficial isenta. A peça tem valor documental, temático (Igreja, ordenações, história local) e postal.


terça-feira, 29 de julho de 2025

Comércio Agrícola Algarvio em 1867: Uma Carta de Albufeira para Figueira



Descrição do Documento: Carta manuscrita de natureza comercial, datada de 12 de janeiro de 1867, enviada de Albufeira para Figueira. Redigida por Frederico Augusto Barata Pinho e dirigida a Ignácio Augusto, a missiva refere que 100 arrobas de figo já haviam sido retiradas do armazém para envio. O remetente solicita ainda o envio de 2 a 3 arrobas de marmelo, caso haja embarcação do Porto para Portimão, sugerindo a compra a António do Lino ou a José Bento Pinto e Filho, que ofereciam o produto a bom preço.

Elementos Filatélicos:

  • Selo: 25 réis carmim rosa da emissão D. Luís I – Fita Curva, não denteado.
  • Obliteração: Carimbo numérico ‘209’, do tipo 4.3.4, mal batido.
  • Carimbo de origem: Oval “ALBUFEIRA”, bem batido a preto.
  • Carimbo de trânsito: Circular de Faro, no verso, datado de 13-01-1867.
  • Carimbo de chegada: Quadrado de Lisboa, datado de 14-01-1867.
  • Percurso Postal: Albufeira (12-01-1867) → Faro (13-01-1867) → Lisboa (14-01-1867)

Contexto Histórico-Postal: Esta carta ilustra a dinâmica do comércio agrícola no Algarve oitocentista, com destaque para a comercio de figos e marmelos, produtos típicos da região. A utilização do selo da emissão D. Luís I – Fita Curva, bem como os carimbos de trânsito e chegada, permitem estudar o circuito postal entre o sul e o centro do país, evidenciando a importância das ligações marítimas e terrestres na circulação de mercadorias e correspondência.

segunda-feira, 28 de julho de 2025

Comércio de Sal no Algarve Oitocentista: Carta de Alcantarilha para Lisboa (1848)


Descrição da Peça

  • Carta datada de 9 de janeiro de 1848, redigida em Alcantarilha (Concelho de Silves), com destino a Lisboa. A correspondência é de natureza comercial, tratando do envio de 12 barricas de sal no valor de 183$330 réis, remetidas por Sr. Boto. O destinatário é a firma Motta & Vaz, em Lisboa.

Percurso Postal

  • Alcantarilha → Albufeira (trânsito) → Lisboa (chegada). A carta percorreu o trajeto em 5 dias, com data de chegada a Lisboa em 14 de janeiro de 1848.

Marcas Postais Identificadas

  • Marca oval preta “ALBUFEIRA” (trânsito) – Tipo O.1 segundo Barreiros.
  • Marca circular azul “LISBOA” (chegada, 14-01-1848) – Tipo P.58 ou P.59.
  • Marca vermelha quadrada (fecho da carta, não postal).

Conteúdo da Carta

A carta refere o envio de 12 barricas de sal no valor de 183$330 réis, com menção a boletas de igual valor. É assinada por Ildefonso Domingues Peres (ilustre residente de Alcantarilha casado com Maria da Conceição)

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Estudo Filatélico de uma Carta de 1872: Emissão D. Luís I Fita Direita com carimbo de barras oval (Faro) n.º 208, Tipo 3.2.3

 


✉️ Destinatário: Condessa de Geras Lima (Júlia Sofia de Almeida Brandão e Sousa)

1.ª Condessa de Geraz do Lima, figura destacada da nobreza portuguesa do século XIX, agraciada com o título por decreto régio de D. Maria II em 26 de agosto de 1848.

Selo: Emissão D. Luís I – Fita Direita: Emitido entre 1867 e 1876, com a efígie do rei D. Luís I. O valor facial de 25 réis correspondia à tarifa de correio interno da época.

Obliteração: Carimbo de barra oval n.º 208 (tipo 3.2.3) Utilizado na estação postal de Faro, este carimbo pertence à tipologia da 2.ª reforma postal portuguesa. Foi ainda aposto carimbo circular datado de Faro datado de 5 de setembro de 1872. No verso foi aposta marca quadrada de cantos arredondados, marcando a chegada a Lisboa a 6 de março de 1872 


🏛️ Contexto Político e Social

O século XIX em Portugal foi marcado por profundas transformações políticas, sociais e institucionais. Após as Guerras Liberais (1828–1834), o país adotou um regime constitucional, mas continuava a enfrentar tensões entre cartistas e setembristas, refletindo os desafios da consolidação do Estado liberal.

A rainha D. Maria II, empenhada em fortalecer a monarquia constitucional, utilizou a concessão de títulos nobiliárquicos como forma de premiar a lealdade à Coroa e reforçar alianças políticas e sociais. A nobreza, por sua vez, passava por um processo de renovação, com títulos atribuídos a famílias de linhagem antiga ou a indivíduos com serviços relevantes ao Estado.


👑 Atribuição do Título à Condessa

Júlia Sofia de Almeida Brandão e Sousa pertencia à influente família Almeida Brandão e Sousa da Fonseca Magalhães, com raízes na aristocracia e ligações à região do Minho, mais precisamente à freguesia de Geraz do Lima, no concelho de Viana do Castelo.

A atribuição do título de Condessa de Geraz do Lima foi feita em caráter vitalício, ou seja, não hereditário, como reconhecimento pessoal da sua posição e méritos. O facto de ser mulher e receber um título condal revela não apenas o prestígio da sua família, mas também a sua própria relevância social e influência.

A sua nomeação pode ter sido motivada por serviços prestados à Coroa, por influência familiar ou por ações de beneficência e representação social. O seu retrato, pintado por Miguel Ângelo Lupi, atesta a sua importância na sociedade lisboeta da época.

terça-feira, 22 de julho de 2025

Portugal 1856 – Carta de Silves para Lisboa com Selo de D. Pedro V de 25 Réis e Carimbo de Barras “216”

Portugal – Carta circulada – 11 de junho de 1856

Destinatário: Sr. Motta Vaz

Origem: Silves

Destino: Lisboa

Data: 11 de junho de 1856 (manuscrita)

Data do carimbo: 15 JUN 1856 (carimbo datador de Lisboa visível)

Selo: Emissão de D. Pedro V, valor facial de 25 réis, cor azul, impresso em tipografia sobre papel liso, não dentado (sem denteado), com a efígie de perfil do monarca voltada para a esquerda.

Conteúdo: Correspondência manuscrita em português, tratando de assuntos financeiros, incluindo referência a uma quantia de 250$000 réis e instruções sobre envio de cartas e pagamentos.

Formato: Carta dobrada, escrita em cursiva, sem envelope separado (formato típico da época).


Importância filatélica e postal:

A carta representa um exemplo clássico da primeira emissão de D. Pedro V (1855) cabelos anelados de burilagem simples, em uso apenas um ano após o lançamento da série.

Carimbo de barras numérico "216", tipo 5.10.5 e a carta com marca nominal linear "SILVES" do período pré-adesivo

O percurso Silves–Lisboa demonstra a cobertura dos serviços postais no território nacional durante a vigência da 1.ª reforma postal portuguesa (1853), que introduziu os primeiros selos e tarifas uniformizadas.

O uso de lacre e a menção a “aumento de folha” indicam que se trata de correspondência com conteúdo adicional ou de valor, possivelmente comercial ou jurídico.